O CÉU É O MEU TETO,A TERRA É MINHA PÁTRIA,A LIBERDADE É A MINHA RELIGIÃO!

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

UM LINDO POEMA...



A OUTRA MARGEM DE MIM

É muito tempo a desejar o tempo
De mudar ventos, levantar marés
É muita vida a desejar o alento
Que faz saber ao certo quem  tu és

É funda a toca onde te escondes tanto
Tem a distância entre o silêncio e a voz
A vida rasga bocadinhos gastos do mundo
Vai descascando até chegar a nós

A tu que sabes tanto de mim
Tu que sentes quem eu sou
Dá-me o teu corpo como ponte que me salva
Do que o medo fechou

São muitos dias a perder em vão
Sem nunca entrar dentro do labirinto
É muita vida a não ser o que tu sentes
A planar sobre o que eu sinto

É quase noite, não te escondas mais
Vai desatando até entrar o ar
Dá-me um gesto que me diga o teu fundo
Uma palavra para te tocar

Tu que sabes tanto de mim
Tu que sentes quem eu sou
Dá-me o teu corpo como ponte que me salve
Do que o medo fechou

Tu que sabes tanto do sol
És uma espécie de outra margem de mim
Olha-me dentro como chão que me agarre

Pode ser esta noite quente
A estrada aberta mesmo à nossa frente
E tu e eu a descobrir o ar
Não é preciso correr
Não é urgente chegar
O que é preciso é viver...



Mafalda Veiga





VAMOS PRESTIGIAR!





domingo, 25 de setembro de 2011

UM LINDO POEMA DE J.G.DE ARAÚJO JORGE...





ALMA SEDENTA DE EMOÇÕES 

Minha alma quer emigrar 
sedenta de emoções, ansiosa de beleza... 
Quer sacudir aos céus e ao sol de outras paragens 
e de outra natureza 
as asas cheias de pó... asas cheias de esplim. 

Minha alma é como o mar, 
minha alma é como o oceano 
sem começo, sem fim... 

À superfície: a eterna inquietação do meu destino 
humano, 
- nas profundezas: 
as ignotas correntezas 
de um "gulf-stream"! 

Minha alma é como o mar 
e os meus sonhos (esses que sonham impossíveis viagens!) 
são as náufragas mensagens 
que as minhas ânsias vão deixando atrás 
a boiar... 

E os meus versos, - são apelos incompreendidos e ignorados, 
S.O.S. de poesia 
na angústia da minha vida, 
e hão de ficar para sempre desconhecidos e encerrados, 
numa garrafa vazia 
perdida 
na imensidão do mar!... 

E em que longes, e em que terras, e em que dia 
hão de os homens a encontrar?!
 

J,G.DE ARAÚJO JORGE.





IMAGENS DO GOOGLE




terça-feira, 20 de setembro de 2011

VISITANTE AMIGO...




CULTIVE A ALEGRIA! EXTASIE-SE DIANTE DA VIDA!PERMITA-SE SER FELIZ!

ORGULHO...






Como me sinto orgulhosa!
Vibra minha alma como um violino...
Meus olhos se embebem de cores,
nos mil volteios das vestes coloridas.
Meus ouvidos captam os sons da música vibrante...
Meu corpo se extasia no encanto de existir!
Ah! Como me orgulho!
Como me orgulho de meu sangue.
De ser mulher! De ser Kalin!
As lembranças de meus antepassados,
suas vivências,seu passado dividido 
entre a dor e o riso,entre o amor e o ódio,
entre a vida e a morte!
Ressoam, ainda, em mim os sons das caravanas...
Escuto, ainda, as vozes,
gargalhadas,palmas, e canções.
Voltam sempre,transpondo  
os portais do Tempo.

Eles voltam:                                                                       ouro reluzindo,cabelos longos e negros,
belos olhos escuros.
Danças, pandeiros,violinos...
As noites escuras,estreladas.
Brilhos de Lua nos olhares profundos...
Sorte,destino,magia,            encantamento,
jorrando na ponta dos dedos
enfeitados de anéis...
Se todos  os gadjês conhecessem melhor                                                                             nossa história,nossos dons,nossa alegria,
nossos caminhos,nossa música e a nossa alma livre,                                                                      
certamente desejariam ter nascido ciganos!


CEZARINA MACEDO/SET.2011.





domingo, 11 de setembro de 2011

NÓS,CIGANOS...







Falar de ciganos é falar do Oriente:India,Pérsia,Egito.Turquia,Armênia,Síria,Anatólia...Falar de ciganos é falar de sensibilidade,religiosidade,misticismo,magia.
Falar de ciganos é falar em medicina natural,aiurvédica:ervas,plantas,raízes,doshas,água,   fogo ,terra e  ar...
Após sua saída da India, os ciganos entraram na Pérsia e lá permaneceram por um longo tempo. Na antiga Pérsia,aprendemos a cultuar o fogo e suas magias.Ficaram resquícios do Zoroastrismo e do Mazdeismo,antigas religiões  persas, na crença cigana de um poder dual: Devel,deus do Bem e da Luz e, Beng,a força maléfica,  a escuridão; herdamos também  o culto ao fogo, a chama sagrada.  
Da Índia herdamos a crença na reencarnação, os oráculos e mancias védicas e, talvez a crença em Kali, a deusa negra, tenha influenciado a devoção cigana à Sara Kali.
Outra característica é a sensibilidade musical,o dom e a maestria nesta área.  A alma musical, poética dos ciganos, essa sensibilidade que nos distingue, que nos dá força para vencer obstáculos, discriminação, sofrimento, é a nossa marca, a nossa herança, o nosso orgulho ancestral!

O céu é o meu teto, a terra é a minha pátria,
a liberdade é a minha religião
! (provérbio cigano).


Por esta filosofia de vida os ciganos pagaram sempre um alto preço.
Porque, na realidade estes conceitos são muito avançados para o resto da humanidade. São conceitos transformadores e de difícil compreensão para a maioria das pessoas, que se negam a tentar pelo menos, entendê-los em sua magnífica grandeza. Nós, ciganos não queremos a posse das terras, queremos a liberdade de ir e vir. As prisões, mesmo de idéias, nos sufocam. 
Só é verdadeiramente cigano aquele que vive e pratica esta filosofia na sua vida diária, no seu dia a dia. Lembro as palavras de Juan de Diós Ramirez Herédia, presidente da Unión Romani, quando se refere à maneira de viver cigana:
“Não é possível viver para trabalhar, é preciso trabalhar o suficiente para viver. E isto implica uma filosofia completamente diferente da filosofia da humanidade e da sociedade. Não consigo pensar em mais nada senão dizer que ser cigano é ter um estilo de vida. Dentro de 50 anos, cigano será não tanto aquele que tem um pai, uma mãe ou antepassados ciganos, mas quem tem um estilo de vida cigano, uma maneira cigana de entender a vida.”

Trecho dos meus artigos na JANELLÁ.(Imagens do Google).

quinta-feira, 8 de setembro de 2011