quarta-feira, 24 de novembro de 2010
sexta-feira, 12 de novembro de 2010
VIDA...
escorrem as horas.
Dentro de mim,guardadas,
todas as idades...
Nos meus olhos,
todas as paisagens.
Nos meus passos
o rumo de todos
os caminhos.
Nas minhas mãos
avidez de carinhos...
Na minha boca,
a sede insaciável
de palavras que não foram ditas.
Nos meus ouvidos
o eco insonoro das tuas promessas
não cumpridas.
Mas,apesar de tudo,
sobrevivi.
(CEZARINA MACEDO CARUSO-NOVEMBRO/2010.)
UMA EXPOSIÇÃO DE FOTOGRAFIAS SOBRE OS CIGANOS(ROMHÁ) NA FRANÇA...

Uma viagem ao coração dos ciganos
(16/09/10 ) A exposição “Viagens pendulares, os ciganos no coração da Europa”, que está acontecendo no Centro de História da Resistência e da Deportação, em Lyon, propõe uma imersão no cotidiano de várias famílias de ciganos da Europa de Leste.
Um cotidiano que Bruno Amsellem acompanhou durante três anos, entre a França e a Romênia. O fotógrafo francês propõe agora uma viagem, em imagens, às idas e voltas de uma população estigmatizada.

Como surgiu a ideia desta exposição?
O projeto desta exposição surgiu após a expulsão do bairro da lata de Puisot, em Vénissieux, (arredores de Lyon) em 2007. Foi aí que vi, pela primeira vez, os ciganos a fugirem pelo campo, com os sacos às costas, antes de subirem a um trem com destino à Romênia. Eu trabalhava, na época, para o jornal Le Monde com Sophie Landrin. Decidimos, então, viajar à Romênia para compreender o que é que os motivava a vir para França.
Como é que conseguiu entrar em contato com estas famílias?
Desde 2002, que visitei várias vezes os edifícios ocupados e bairros de lata da região de Lyon. Depois, em 2007, quando decidi trabalhar esta história com mais profundidade, comecei a aproximar-me das famílias, primeiro sem máquina fotográfica. Esta aproximação podia demorar mais de uma dezena de dias. Pouco a pouco, começaram a compreender os meus objetivos e começou a criar-se uma relação de confiança. Também contei com a colaboração de outras pessoas,e com o antropólogo Thomas Ott, que apresentou-me a uma família com a qual parti para a Romênia.

(Tarzan, Crijma et Izabela Covaci. Rabagani, Roumanie, 04-09 ©) Bruno Amsellem/Signatures
Bruno Amsellem est représenté par la maison de photographes Signatures. www.signatures-photographies.com
Em termos de condições de vida destas famílias, quais são as diferenças entre a França e a Romênia?
É difícil fazer generalizações sobre esta população. Na Romênia, alguns ciganos vivem corretamente. Mas esta parte da população não é a mesma que encontramos nos bairros de lata franceses. Aqueles que saem da Romênia fazem-no, antes de mais nada, por não se beneficiarem de serviços de saúde. Ali não há segurança social, como em França. Não têm água corrente, nem eletricidade, mas sobretudo, nem todos os dias encontram algo para comer. E o último ponto importante, como sublinhava Tarzan, o patriarca de uma das famílias que acompanhei, eles não enviam as crianças à escola por terem medo que sejam agredidos. Ao viajarem para França esperam encontrar soluções para todos estes problemas. Escolarizar os filhos, uma vez que é obrigatório em França. Poder comer até ficarem saciados, pedir esmola, algo que não podem fazer na Romênia. No país, a maioria vive no campo e aqueles que vivem na cidade são marginalizados por uma grande parte da população romena.
O que é que o marcou mais durante estas viagens entre os dois países?
O que me tocou mais foi o interesse que os ciganos manifestam pelas outras pessoas. Ao telefone, perguntavam-me sempre: “Os teus filhos como é que estão? E o trabalho?”. Eles têm uma grande vontade de aprender e de integrar-se na população do país em que vivem. E reparei nisso, por exemplo, com Tarzan, quando pedia esmola na rua. Mantinha relações pessoais com algumas pessoas, pois estava sempre no mesmo sítio e tinha sempre uma anedota para contar. A maior parte das vezes, conhecia um pouco da história da pessoa que lhe dava esmola.
Para terminar, pensa que é um artista comprometido?
Comprometido, não sei. Considero-me um repórter fotográfico; a palavra artista incomoda-me. Este trabalho é antes de mais nada, um testemunho. Quero humanizar esta população e mostrar verdadeiras histórias humanas. Quero ir para lá das ideias feitas de que são todos ladrões, “clichês” que eu mesmo poderia partilhar antes de conhecer esta população. Talvez exista um pouco mais de delinquência entre eles, mas é também uma questão de sobrevivência. Trata-se essencialmente de pequena delinquência que não está generalizada a todos os ciganos. As famílias que eu segui são de uma honestidade impressionante.
« Voyages Pendulaires. Des Roms au cœur de l’Europe »
Exposição , de 17 Junho a 24 de Dezembro de 2010, no Centro de História da Resistência e da Deportação de Lyon,www.chrd.lyon.fr
Bruno Amsellem, Signatures, www.signatures-photographies.com
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quarta-feira, 10 de novembro de 2010
AINDA...
AGUARDO AS PROMESSAS
SE CUMPRIREM...
SONHO COM OLHOS DE CRIANÇA
DESLUMBRADOS
COM MANHÃS NASCENTES.
GUARDO COMO UM TESOURO
DENTRO DE MIM,
A ESPERANÇA.
MEU CORAÇÃO É LAGO
ESTENDIDO
NOS REMANSOS DO TEMPO,
SERENAMENTE REPOUSADO
NA LÍQUIDA E CALMA SUPERFÍCIE.
MINHA ALMA É CONCHA,
GUARDANDO EM SEU BOJO
AS VOZES DOS VENTOS
QUE CANTAM AMORES.
NO MEU OLHAR DISTANTE
NAVEGA SUAVEMENTE
A SAUDADE
SOBRE UM MAR
DE LÁGRIMAS...
terça-feira, 2 de novembro de 2010
FESTA CIGANA EM HOMENAGEM À N.S.APARECIDA EM SÃO PAULO...
CINEASTA ARGELINO ENTREVISTADO PELA EURONEWS...
Tony Gatlif é um homem com uma causa. Durante 35 anos, Gatlif que é meio argelino, meio cigano, produziu e dirigiu filmes sobre os roma na Europa, um povo que considera ser, muitas vezes, incompreendido e discriminado.
No último filme, “Liberté”, lançado este ano, diz que 30 mil franceses de etnia cigana foram detidos e deportados durante a Segunda Guerra Mundial.
ENTREVISTA: EURONEWS: Este mês vai decorrer um encontro em Bucareste, sobre a integração das pessoas de etnia cigana na Europa. O que espera deste encontro?
GATLIF: “Que deixemos este povo em paz. Estas pessoas não pediram nada, nem fizeram a guerra. Nunca pegaram em armas. Nunca colocaram bombas. Essas pessoas querem, apenas, viver. Deixemo-los viver e que se encontrem formas para que possam subsistir como toda a gente, como todos as pessoas da Europa. E que paremos de lhes colocar etiquetas nas costas e de criar leis que atentam contra a sua vida.”
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