MORRER DE AMOR Ah!Este desejo que me avassala como uma tormenta inesperada... Esta dor que me magoa e punge como um espinho cravado no meu peito! Quero-te junto a mim de qualquer jeito, num instante de amor quase perfeito, a saciar minha sede de ternura. Vem de uma vez! Não suporto esta espera! Sofro de amor nesta minha ânsia louca de ficar desejando a tua boca, sedenta e transtornada... E ir morrendo,aos poucos lentamente... Longe da tua água cristalina, dessa fonte de amor que me alucina, a suspirar,inutilmente, de saudade! Cezarina Macedo/2009.-In " HARPA DOS VENTOS " -EDITORA NOVITAS/STA CRUZ DO SUL/RS.
SERENATA Permite que eu feche os meus olhos, pois é muito longe e tão tarde! Pensei que era apenas demora, e cantando pus-me a esperar-te.
Permite que agora emudeça: que me conforme em ser sozinha. Há uma doce luz no silencio, e a dor é de origem divina.
Permite que eu volte o meu rosto para um céu maior que este mundo, e aprenda a ser dócil no sonho como as estrelas no seu rumo. CECÍLIA MEIRELES-POETISA BRASILEIRA DE ORIGEM ROMANI(CIGANA)-1901-1964.
TEUS OLHOS Teus olhos tem uma cor de uma expressão tão divina, tão misteriosa e triste como foi a minha sina!
É uma expressão de saudade viajando num mar incerto... Parecem negros de longe, parecem azuis de perto. Mas,nem negros nem azuis, são teus olhos meu amor... seriam da cor da mágoa se a mágoa tivesse cor! FLORBELA ESPANCA.-POETISA PORTUGUESA.(1894-1930)
O que os ciganos precisam e desejam é conviver pacificamente. É serem respeitados e aceitos como são. Queremos ser cidadãos da terra onde nascemos e onde vivemos,sem que precisemos reivindicar nossos direitos e deveres. Conviver é tolerar, é respeitar, é compreender o outro, é aceitá-lo como é. Ninguém é uma ilha, não se pode viver separado.Ninguém é melhor nem pior que o outro, porque somos todos humanos. E, como humanos somos todos iguais, mas ao mesmo tempo diferentes.Não existe cópia de gente.Cada um é único em sua individualidade, e é isto que faz a Beleza.A harmonia é resultado das diferenças. Cezarina Devos Macedo.
Imagem gentilmente cedida pelas primas do Blog "COZINHA DOS VURDÓNS",e obrigada tb pelas notícias acerca da I semana dos Povos Ciganos,em Brasília.AGRADEÇO À COZINHA DOS VURDÓNS! NAÍS TUKÊ!
NÓS CIGANOS
(...)Nós ciganos amamos a paz e, nunca fizemos guerras!Disso nos
orgulhamos. Somos ponte, traço de união entre Oriente e
Ocidente. Mesmo que os gadjês desconheçam ou ignorem propositadamente, somos a
solda que uniu raças, crenças e culturas do mundo inteiro nas nossas
intermináveis andanças. Um pouco de nós está escondido em cada ser humano: o
sonho de liberdade, a busca eterna da Beleza, a expressão das emoções, das
palavras e dos gestos, livres de medos ou preconceitos, a alegria inocente e
espontânea.
Nós ciganos devemos ser gratos à Dhiel( DEUS) pela abundância de dons que herdamos.
Isto nos faz os seres mais ricos e os mais felizes, embora tenhamos sofrido
perseguições, discriminação, miséria e morte ao longo dos tempos, por culpa da
ignorância e do preconceito. Nossa missão neste mundo é uma linda e
dignificante missão: a de levar a alegria e a beleza a todos os lugares. Somos
os menestréis (poetas e cantores andarilhos da Idade Média) da vida.
Somos, é verdade, plenamente humanos, com defeitos e
qualidades, iguais a todos os outros homens deste planeta, sejam de que raça
for. Esta humanidade nos iguala, nos faz companheiros da mesma caravana, da
mesma viagem no Vurdón do Tempo. Faz-nos gente. Torna-nos a todos irmãos e com
o mesmo direito à felicidade.(...)
(Trecho extraído de um artigo de minha autoria ,publicado na REVISTA JANELLÁ-SABER,CONHECER.-2011.)
BRASIL CIGANO: I SEMANA NACIONAL DOS POVOS CIGANOS/2013
DE 20 A 24 DE MAIO EM BRASÍLIA
Para celebrar o dia Nacional do Cigano – 24 de maio
Quero ser água e correr sem represas por lugares diversos e por terras estranhas, odeio esse destino das montanhas encarceradas dentro de si mesmas e enterradas no chão ... Que eu seja ao menos como um passarinho para poder fugir ou me afastar de onde homens estão!
Namorado das nuvens vagabundas que sobrepairam picos e altitudes flutuantes como véus, amo a distância e a altura - a altura que deslumbra! - a distância que atrai ... que empurra os horizontes e os céus! Andar como os rios andam, sem saber por quê, saltar como as cachoeiras gesticular como os galhos e ser livre como o vento que ninguém prende nem vê... Cantar como as aves cantam amar como as flores amam à luz do sol, do luar, no aconchego de um ramo e então gritar: - eu vivo! e então gritar: - eu amo! Viver embriagado de espaço! dos sons bárbaros da terra do perfume das coisas das árvores, do mar, dos campos sem cercados, dos pássaros que voam tontos, deslumbrados, e da cantiga das fontes! Desconhecendo a prisão de todas as fronteiras e amando a inexistência de todos os horizontes!
Ergo os olhos ao céu ergo os braços para o alto e canto um hino ao ar, ao sol, à liberdade! J. G . de Araujo Jorge (do livro " AMO ! " - 1938 )