Houve um tempo em que minha janela se abria
sobre uma cidade que parecia ser feita de giz.
Perto da janela havia um pequeno jardim quase seco.
Era uma época de estiagem, de terra esfarelada,
e o jardim parecia morto. Mas
todas as manhãs vinha um pobre com um balde,
e, em silêncio, ia atirando com a mão umas gotas de água sobre as plantas.
Não era uma rega: era uma espécie de aspersão ritual, para que o jardim não
morresse.
E eu olhava para as plantas, para o homem, para as gotas de água que caíam
de seus dedos magros e meu coração ficava completamente feliz.
Às vezes abro a janela e encontro o jasmineiro em flor.
Outras vezes encontro nuvens espessas.
Avisto crianças que vão para a escola.
Pardais que pulam pelo muro.
Gatos que abrem e fecham os olhos, sonhando com pardais.
Borboletas brancas, duas a duas, como refletidas no espelho do ar.
Marimbondos que sempre me parecem personagens de Lope de Vega.
Ás vezes, um galo canta.
Às vezes, um avião passa.
Tudo está certo, no seu lugar, cumprindo o seu destino.
E eu me sinto completamente feliz.
Mas, quando falo dessas pequenas felicidades certas,
que estão diante de cada janela, uns dizem que essas coisas não
existem,
outros que só existem diante das minhas janelas, e outros,
finalmente, que é preciso aprender a olhar, para poder vê-las assim.
"LENDO A SORTE"-QUADRO DO PINTOR ESPANHOL JOSE BENLLIURE Y GIL.. TELA DE DAVID GREY(1970-Washington,EEUU.)-CIGANA. TELA DE JEFREY WATTS-Estados Unidos da América. LINK DO BLOG DE CRISTINA PEREIRA,INSIGNE PESQUISADORA DA CULTURA CIGANA,AUTORA DE VÁRIOS LIVROS SOBRE A ETNIA ROMANI(CIGANA):
LINK DO BLOG DA EDITORA: http://editoraescritafina.blogspot.com.br/2012/04/qualquer-chao-leva-ao-ceu-na-visao-de.html "Mais do que contar a história de Jorge, um menino brasileiro, filho de uma família pobre, que como tantos outros vai morar na rua, e do cigano Latsi, que perdeu a mulher e o filho num desastre de automóvel e acaba afastado do seu povo " Qualquer chão leva ao céu ": a história do menino e do cigano revela a possibilidade de um convívio pacífico entre povos diferentes. Ao contrário de vários exemplos caricaturais da literatura universal, aqui os ciganos não são apresentados de forma estereotipada, sempre dando maus exemplos e péssimos conselhos. Apenas são mostrados com costumes e tradições diferentes das nossas, que não somos ciganos. Este livro é a celebração da diversidade."
Cristina da Costa Pereira
"Qualquer chão leva ao céu" na visão de um cigano kalon :
"Cristina,
Esta fala é uma homenagem do povo kalom ao seu carinho e a sua dedicação à cultura cigana. Você que não se importou com preconceito e a discriminação dos não ciganos, sendo você mesma uma não cigana, tornou-se uma das mais respeitadas pesquisadoras do povo cigano, trazendo a público seus trabalhos através dos muitos livros já escritos e os muitos que irá publicar. Como dito por você certa vez: ''Chegar às barracas dos ciganos ou às casas dos mesmos também foi fruto de persistência e consequente aprendizado, pois que, num primeiro momento, os ciganos se espantaram com meu interesse por suas tradições e foi um árduo trabalho fazer entender-me e explicar minha real intenção com as pesquisas e a publicação dos livros''.
Posso imaginar como foi dura a sua trajetória até aqui, mas valeu a sua determinação. Até agora, tudo sério e acreditável com relação aos ciganos partiu de você, e não podemos esquecer disso. Você nos tirou do anonimato e nos colocou em evidência. Portanto lhe digo: o que valeria a âncora guardada dentro do navio? Ela só pode ser útil quando lançada ao fundo do mar, atada a uma corda que, presa no navio o ancora e o estabiliza. E agora eu lhe pergunto, como seria o mundo sem os ciganos? Sem seus acampamentos, suas danças, seus artesanatos, suas cartomantes, seus casamentos, suas festas, seus batizados? Não é de minha imaginação ver o mundo sem os ciganos. Nós somos o povo das tendas, vivendo à beira das sendas, negociantes ou quiromantes, andando nas ruas de cidades em cidades, todos os dias. Nos reunimos à noite ao redor do fogo para espantar os fantasmas das trevas e conversarmos animadamente bebendo em pequenas doses nosso café para esquecer nossos algozes. Você entendeu que somos determinados a viver e defender nossos valores. Nascemos ciganos e, enquanto vivermos nesse planeta Terra,queremos ser ciganos! Nossa gratidão a sua pessoa que é por nós considerada do povo esquecido, e por muito tempo marginalizado, uma amiga autêntica e grande divulgadora" Marcos Rodrigues.(CIGANO KALON). .............................................. CIGANAS kALON PREPARANDO UMA REFEIÇÃO. Foto do vídeo "É KALON-OLHARES CIGANOS/ MT/2011. TRAILER DO DOCUMENTÁRIO "É KALON...".
Como definir esta ânsia inquieta de buscar sempre além e mais,as coisas que desejo? Como explicar este sentir calado,esta melancolia inerte, indefinida,que brota dos meus olhos na lágrima que escorre, na aguda sensação de uma ferida que dentro de mim faz a dor latejar? Minha alma tem sede de universos infinitos, de horizontes distantes a tocar o céu.... Minha alma traz consigo, -aonde quer que esteja- a faminta emoção de estradas novas a desenrolar-se em curvas, à minha frente! Meu coração cigano arde e palpita... Quer sentir mais. Meus olhos extasiados com a vida embebem-se de luz... Há sempre algo a descobrir, há sempre mais a desvendar! Ah! Vida...Vida! Há um suspiro em cada pétala, um mundo sempre novo em cada olhar... Meu ser se encanta! Quero sorrir,dançar! Quero tocar o céu,colher estrelas... Viver cada segundo intensamente, na sensata loucura da poesia... Sou poeta.Eu sonho. E isto,com certeza, há de explicar . CEZARINA MACEDO/DEZ.-2012. TELA DEJAMES N. LEE TELA DE HELENE BELAND
Vento nos cabelos, olhos cheios de estrelas. Trago em mim a poeira de todas as estradas e horizontes distantes, e exóticas paisagens de todos os lugares... A música me embala,a arte me fascina. Os sonhos me conduzem a caminhos vários. Inquietas sensações me empurram para a frente na busca sem descanso de paz e liberdade. Nada é impossível! Há grandeza e valor nos meus objetivos... Ousar e persistir são metas cintilantes que me levam adiante nos caminhos do mundo! Meu ser é como um rio... Às vezes,borbulhante e revolto, entre montanhas, outras vezes calmo e silencioso a refletir o céu. E vou assim,sempre à caminho, neste destino cigano e aventureiro,buscando em cada dia ser feliz! CEZARINA MACEDO/DEZ.2012. TELA DE LEONARD GASSER
Tela de Jose Miguel Roman Frances
Tela de Egron Sellif Lundgren (Swedish painter, 1815-1875)
"Me Orgulho em ser Calin..." "Me Orgulho em ser Cigana." https://www.facebook.com/photo.php?fbid=373475516075760&set=a.156909974398983.36934.100002399439182&type= ................................................................................................................... RODRIGO E SUA ESPOSA JOVANKA,CIGANOS DE SÃO PAULO! Ele Calon,ela,matchuaia... Famosos por suas festas ciganas! Primo Valenzuela e o filhinho Juan... NAÍS TUKÊ,QUERIDO PRIMO RODRIGO!