O CÉU É O MEU TETO,A TERRA É MINHA PÁTRIA,A LIBERDADE É A MINHA RELIGIÃO!

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

MAIS UM POEMA MEU...





MINHA ALMA


Minha alma é um céu
todo cheio de estrelas
e uma Lua  redonda e branca
a se diluir em prata...
É um céu azul-lavado
de uma manhã bem clara.
Um amarelo poente
a resplender em ouro! 


Minha alma é um jardim
todo cheio de flores...
Com alamedas de árvores frondosas
onde se escondem silfos e fadas misteriosas!
Paira no ar um cheiro de jasmim.
E mil rosas de pétalas suaves
pendem dos ramos espinhosos
de roseiras silvestres.


Minha alma é criança.
Ela canta e ri,
ri e canta!
(Talvez mais do que o esperado!)
Minha alma é uma ciganinha alegre 
que a dançar se esconde                                                                                                
atrás da sombria cortina
dos meus olhos!


Cezarina Macedo- in  HARPA DOS VENTOS-Editora Novitas/Sta Cruz do Sul/RS-2009.


quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

PALAVRAS DE UM ANJO CIGANO...



Um dia,a um tempo atrás,uma Romi que fala e tece poesias como um anjo exilado das paisagens do Céu, respondeu a um agradecimento que lhe fiz acerca de um poema meu postado no seu blog...Nunca pude esquecer.Eis sua resposta :

"Cezarina,
Congratulações poeta! Que as estrelas bendigam seus poemas, todas as vezes que o mundo respirar."

Romi Zerafim é o pseudônimo de uma cigana(romi)  que luta pela  igualdade de direitos para todos os Rons através de suas palavras inspiradas. É uma incansável lutadora e escreve muito bem! Seus contos e poesias são de excelente qualidade e bom gosto.Conheci seu trabalho através das romies amigas do maravilhoso blog " COZINHA DOS VURDÓNS"(Outras incansáveis batalhadoras na desmitificação dos esteriótipos e preconceitos que pesam sobre o povo cigano(os Rons) e pelos seus direitos através da organização AMSK-BRASIL e seus projetos(Projeto Kalinka(ciganos na nossa escola) e Sara Kali Group(danças tradicionais romani). Fico honrada e feliz de ser amiga destas mulheres (Romies) tão maravilhosas e guerreiras na luta pelo ideal de propagar a Verdade Cigana(Tchachimôs Romani) 

Cezarina Macedo-Fev'/2012.

ROMIES DA COZINHA DOS VURDÓNS E ROMI  ZERAFIM(CONTOS DE UM ANJO):Que sua estrada seja sempre florida!
Que Sara as abençôe!

sábado, 18 de fevereiro de 2012

REFLEXÕES À BEIRA DO MAR...


    
 A manhã se espreguiça lentamente,desenrolando seus novelos de nuvens, coloridas pelos primeiros raios de sol.
Meu olhar vagueia, querendo trazer consigo,como uma ressaca,toda a paisagem.
O vento que sopra do mar traz o cheiro acre da maresia,dos destroços que as correntezas  carregam e depositam na orla branca da praia.
O cheiro do mar,o vento que sopra,as areias e rochas,a espuma branca sobre a crista indomável das ondas...Tudo isto me faz pensar,refletir sobre o início de nossa história,muito atrás no tempo..
Somos ,nós brasileiros,o resultado de um amálgama de vários  grupos étnicos.
Nas nossas veias corre um sangue misturado. De índios,portugueses,africanos ,judeus convertidos e ciganos.Tudo começou no século XVI...Os indígenas  olhavam,extasiados e medrosos, os grandes barcos de imensas e tremulas velas  se aproximarem das areias quentes e amarelas das costas desta terra ainda intocada pelos pés estrangeiros do branco invasor...As caravelas que balançavam sobre as ondas às vezes,traziam em seu bojo os escravos oriundos da África e outras,  aqueles que haviam sido expulsos das terras luzitanas:os degredados.Vinham aqui purgar seus erros,sofrer suas dores. Para a Igreja as colônias de além-mar,entre elas o Brasil representavam o purgatório cristão : nelas o degredado pecador vinha sofrer para pagar seus  pecados,redimir-se. Entre esta gente se misturavam os condenados por crimes de vários gêneros,prisioneiros políticos e religiosos,e aqueles cujo único crime era pertencer a uma etnia diferente:judeus sefarditas convertidos(cristãos novos),muçulmanos e os  ciganos ibéricos (Calons),que não se adaptavam aos costumes portugueses e eram considerados hereges pela Inquisição.
Depois disso,através dos anos, essa gente que era considerada uma ameaça à Igreja e à Coroa  Portuguesa,espalhou-se por toda esta terra como areia aos quatro ventos...Trouxeram para cá sua alegria,sua música,seu trabalho honesto,sua cultura.
Dessa mistura ,desse cadinho acrescido pelas outras etnias que vieram depois,   formou-se todo um povo.Um povo bonito,religioso e místico,muito fraterno,alegre,sensual,amante da música e da dança .Herdeiro de  etnias ímpares.
Dentro de nós os traços herdados dos ancestrais.
Somos mestiços e disso devemos nos orgulhar.Há muito tempo, "raça"é uma palavra extinta,não cabe aos seres humanos. Raça só se usa para enquadrar cães , gatos , cavalos e outros animais. E os vocábulos " raça pura" ,então? São de arrepiar! E lembram xenofobia.Da última vez em que foram usados surgiu o nazismo,o fascismo e outros " ismos"... 
Portanto, sejamos orgulhosos de nossa mistura étnica!Sejamos brasileiros orgulhosos de nossas origens!



CEZARINA MACEDO.FEV.2012.


terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Pequena canção de amor...Meu mais recente poema...

               
PEQUENA CANÇÃO DE AMOR


E tu vieste.                                                                                                                              
Com teus olhos de promessas
como verdes mares estendidos.
Talvez,por isso,na boca, 
sempre me fica
um gosto de sal
quando me beijas...
E tu voltaste ( eu sempre soube
que um dia voltarias!)
Como voltam 
as flores nos ramos inquietos,
e as estrelas quando vem a noite.
Mas,sinto no teu amor  um gosto 
inseguro,um jeito fugitivo,
uma vaga inquietude
que me esconde o futuro,
que me abala a razão.
E o teu abraço como 
um sopro de vento repentino
me arrasta contigo
para terras distantes,distantes...
Além desse mar tão verde
e tão profundo
que fica no fundo 
bem no fundo,
destes teus olhos
claros,misteriosos,
de cigano. 



CEZARINA MACEDO-FEV/2012.





LINDOS POEMAS DE UM POETA PORTUGUÊS...

. 

Manuel Alegre Melo Duarte nasceu em Águeda ,em12 de maio de1936 e estudou na Faculdade de Direito de Coimbra, onde participou activamente nas lutas académicas. Cumpriu o serviço militar na guerra colonial em Angola. Nessa altura, foi preso pela polícia política (PIDE) por se revoltar contra a guerra. Após o regresso exilou-se no norte de África, em Argel, onde desenvolveu actividades contra o regime de Salazar. Em 1974 regressou definitivamente a Portugal, demonstrando, nos vários cargos governamentais que tem desempenhado ao longo dos anos, uma  intervenção fiel aos ideais da Liberdade.
 A sua poesia foi e é um hino à Liberdade e, talvez seja por isso que é lembrada por muitos resistentes que lutaram contra a ditadura. É considerado o poeta mais cantado pelos músicos portugueses.



Letra para um hino
É possível falar sem um nó na garganta é possível amar sem que venham proibir é possível correr sem que seja fugir. Se tens vontade de cantar não tenhas medo: canta. É possível andar sem olhar para o chão é possível viver sem que seja de rastos. Os teus olhos nasceram para olhar os astros se te apetece dizer não grita comigo: não. É possível viver de outro modo. É possível transformares em arma a tua mão. É possível o amor. É possível o pão. É possível viver de pé. Não te deixes murchar. Não deixes que te domem. É possível viver sem fingir que se vive. É possível ser homem. É possível ser livre livre livre.
MANUEL ALEGRE.

As mãos

Com mãos se faz a paz se faz a guerra.
Com mãos tudo se faz e se desfaz.
Com mãos se faz o poema – e são de terra.
Com mãos se faz a guerra – e são a paz.

Com mãos se rasga o mar. Com mãos se lavra.
Não são de pedras estas casas mas
de mãos. E estão no fruto e na palavra
as mãos que são o canto e são as armas.

E cravam-se no Tempo como farpas
as mãos que vês nas coisas transformadas.
Folhas que vão no vento: verdes harpas.

De mãos é cada flor cada cidade.
Ninguém pode vencer estas espadas:
nas tuas mãos começa a liberdade.

Manuel Alegre, O Canto e as Armas, 1967



Um trecho maravilhoso de sua  prosa...

Rosas Vermelhas



Nasci em Maio, o mês das rosas, diz-se. Talvez por isso eu fiz da rosa a minha flor, um símbolo, uma espécie de bandeira para mim mesmo.  E todos os anos, quando chegava o mês de Maio, ou mais exactamente, no dia 12 de Maio, às dez e um quarto da manhã (que foi a hora em que eu nasci), a minha mãe abria a porta do meu quarto, acordava-me com um beijo e colocava numa jarra um ramo de rosas vermelhas, sem palavras. Só as suas mãos, compondo as rosas, oficiavam nesse estranho silêncio cheio de ritos e ternura.  Nesse tempo o Sol nascia exactamente no meu quarto. Eu abria a janela. Em frente era o largo, a velha árvore do largo dos ciganos. Quando chegava o mês de Maio, eu abria a janela e ficava bêbado desse cheiro a fogueiras, carroças e ciganos. E respirava o ar de todas as viagens, da minha janela, capital do mundo, debruçado sobre o largo onde começavam todos os caminhos. (...)

IMAGENS DO GOOGLE.-POEMAS E BIOGRAFIA EXTRAÍDOS                                                           DE SITES DE POESIA.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

UM POEMA MEU...










QUANDO TE AMEI


Amar-te
foi a melhor coisa acontecida.
Naquele tempo
transbordei todas as fronteiras,
ultrapassei limites,desconheci razões.
Joguei fora mapas,coordenadas,sextantes.
Esqueci todas as regras e leis...
Meus olhos tingiram o cotidiano
com as cores do arco-íris.
Minhas mãos,todas as noites
alcançavam estrelas.
Tornei-me chama,labareda,ardência.
Fiz-me perfume,vento,solidão...
E,para conquistar-te
tornei-me ausência.
As noites diluíram astros
no meu olhar surpreso.
E, as manhãs estilhaçaram o sol
para nos acordar...


CEZARINA MACEDO -IN  PALAVRAÇÃO-III COLETÂNEA SCRIPTUS./2010.


sábado, 4 de fevereiro de 2012

UM LINDO POEMA DE CORA CORALINA...


DESCONHEÇO AUTORIA.


PINTURA DE  DI CAVALCANTE



Todas as Vidas
Vive dentro de mim
uma cabocla velha
de mau-olhado,
acocorada ao pé
do borralho,
olhando para o fogo.
Benze quebranto.
Bota feitiço…
Ogum. Orixá.
Macumba, terreiro.
Ogã, pai-de-santo…
Vive dentro de mim
a lavadeira
do Rio Vermelho.
Seu cheiro gostoso
d’água e sabão.
Rodilha de pano.
Trouxa de roupa,
pedra de anil.
Sua coroa verde
de São-caetano.
Vive dentro de mim
a mulher cozinheira.
Pimenta e cebola.
Quitute bem feito.
Panela de barro.
Taipa de lenha.
Cozinha antiga
toda pretinha.
Bem cacheada de picumã.
Pedra pontuda.
Cumbuco de coco.
Pisando alho-sal.
Vive dentro de mim
a mulher do povo.
Bem proletária.
Bem linguaruda,
desabusada,
sem preconceitos,
de casca-grossa,
de chinelinha,
e filharada.
Vive dentro de mim
a mulher roceira.
-Enxerto de terra,
Trabalhadeira.
Madrugadeira.
Analfabeta.
De pé no chão.
Bem parideira.
Bem criadeira.
Seus doze filhos,
Seus vinte netos.
Vive dentro de mim
a mulher da vida.
Minha irmãzinha…
tão desprezada,
tão murmurada…
Fingindo ser alegre
seu triste fado.
Todas as vidas
dentro de mim:
Na minha vida -
a vida mera
das obscuras!
CORA CORALINA.




DESCONHEÇO OS AUTORES DAS PINTURAS ABAIXO: