

Quando pensei
Que a rotina cinzenta
Dos meus dias
Fosse permanecer assim
E,me afogar nesta mesmice nevoenta
De semitons iguais,
Surgiste ,de repente:
Surpresa e êxtase,
Vendaval repentino!
Desarrumando a minha vida
E ,mudando pra sempre
O meu destino!
Tonta e perdida fiquei,
Sem bússola nem rumo
Nesse vasto mar
De novas emoções...
Tiraste tudo do lugar,
Quando chegaste.
E onde havia um tom
De cotidiana calmaria,
Surgiram inquietude
E,encantamento,
Sortilégio e arrepio...
O que era deserto
Brotou fonte,
E um silencioso rio
Vai me arrastando
Em direções que nem suspeito...
Meu louco coração,
Disparando no peito,
Vai marcando
O compasso mágico
De um tempo
Onde ficamos sós!
Cezarina Caruso- poema do livro HARPA DOS VENTOS/Editora Novitas/2009.
Atitude
Minha esperança perdeu seu nome...
Fechei meu sonho, para chamá-la.
A tristeza transfigurou-me
como o luar que entra numa sala.
O último passo do destino
parará sem forma funesta,
e a noite oscilará como um dourado sino
derramando flores de festa.
Meus olhos estarão sobre espelhos, pensando
nos caminhos que existem dentro das coisas transparentes.
E um campo de estrelas irá brotando
atrás das lembranças ardentes.